Discursos não mudam fatos

by agosto 01, 2023


O que atualmente muitas pessoas têm dificuldade de entender é que existem questões na vida que não são apenas pontos de vista. Há fatos concretos. Há dados técnicos, que independem de boa vontade, opiniões, achismos, teorias.  

Pode ser contraditório um escritor de ficção levantar essa questão. Mas as criações da literatura ficcional são para amenizar os problemas da vida, permitir sonhos e liberdade, fantasiar, mas não fugir da realidade. A ficção não pode fugir, alienar, distorcer, esconder, enganar ou misturar com a realidade. A sanidade precisa se manter. 

Tristeza

by julho 03, 2023

 


Tristeza! 

Desculpem! Não há outra palavra. 

Embora eu seja otimista 

Os fatos estão evidentes 

 

Cavamos o abismo que estamos mergulhamos 

E qualquer um que alerte é mal visto 

Qualquer verdade dói. Algo fora do padrão incomoda 

 

Com nossa soberba, prepotência, nossos maniqueísmos 

Generalizando e simplificando qualquer questão 

É muito mais confortável ser simplório que profundo 

Se sempre acusando os outros, dos nossos erros 

Baseados em informações que nos confortam 

Nunca indo além, buscando reflexão 

 

Para satisfazer nosso ego, ou agradar alguém 

Compramos um pacote completo de meias verdades 

Discursamos bonito, para aparentar sermos legais 

E escondemos nossas atrocidades 

 

Tudo em que fazemos, somos seletivos 

No que seremos justo, no discurso, até no que se indignar 

Lemos a página do livro que nos interessa 

Não processamos nada do que contradiz 

 

Pouco pensamos em outras possibilidades 

Em buscar entender o próximo 

Principalmente o que no fundo vemos como inimigos 

E que sua postura ou ideias abominamos 

 

Somos radicais ao cometer ou nos cegar para injustiças 

Ou no mínimo na possibilidade de que seja uma injustiça 

É tão prático seguir as ideias mais aceitada em nosso ciclo 

E nos indignamos com o que é conveniente 

 

Somos o que pregamos apenas quando conveniente 

Desgastamos temáticas, mudamos sentido das palavras 

Tomamos verdade de pessoas com posturas questionáveis 

O inferno são os outros, a nós, nada 

 

Para que o desejo de agradar alguns amigos 

Replicando ideias feito papagaios 

Nunca refletindo, pensando na possibilidade de outro lado 

E que quem sabe, nós estamos errados 

 

Comentando com convicção assuntos que não nos qualificamos 

Que não buscamos informações, que não estudamos  

E apesar disso, achamos que sabemos, baseado em conhecimentos duvidosos 

Nos enchemos de nossa arrogância, como se fosse bonito 

 

 

Talvez daqui a cem anos, olhem para nós e enxerguem nossos absurdos 

A falta de capacidade de enxergar o obvio 

O tempo esclarece o que pare claro agora 

E no futuro nos julgarão, com a mesma impiedade que hoje fazemos com as pessoas do passado 

 

No fundo pensamos somente em nós 

Mas fazemos nosso marketing do altruísmo 

Aceitamos qualquer erro, até crime, para não sair de nossa caixa 

E ainda reclamamos que a vida está tão complicada 



Sobre o Autor: 

Victor Garcia Preto   
Formado em Ciências Contábeis. 29 anos, Resido Ribeirão Preto.  Tenho um perfil de textos no Instagram: @textosinceros. Segue lá.

Por que não falo de amor?

by junho 05, 2023

 


Autor: Voctor Garcia Preto

Às vezes me perguntam porque não falo diretamente de amor, embora escreva muito sobre o assunto. 

Muitos me perguntam se eu já tive um grande amor. 

E não sei qual é a resposta concreta. O que posso afirmar é que já vivi inúmeras experiências. Dos amores não românticos, fui muito feliz. Com minha família, minhas sobrinhas e até alguns amigos. Dos amores românticos, a questão não é tão simples. Vivi algumas aventuras, a maioria não se pode chamar de amor.  

No texto anterior a esse portal, escrevi um texto em que afirmo que está se banalizando sentimentos, inclusive o amor. Reafirmo aqui e por tanto, não quero cometer esse erro. O amor não brota tão simplesmente. Não amamos todo mundo. 

 

Mas a verdade é que o relacionamento com pessoas pode ter seu lado frustrante e doloroso, mas é maravilhoso. A troca de experiências, conversas, atitudes que não teria sozinho, além da parte física e fisiológica. Mas apesar de tudo isso, é evidente que muitos relacionamentos e sentimentos não são amor. Embora possam significar algo importante. 

 

Com o passar do tempo, reflito sobre as experiências vividas e se vezes em que achei sentir amor, era esse sentimento realmente. Mas uma vez afirmo que não sabemos de fato definir um sentimento. Apenas acreditamos que sabemos. 

 

Fui amado muitas vezes, nos amores não românticos. Dos românticos, talvez duas. Posso ter amado três vezes, talvez apenas ache tenha amado. Já fui correspondido e não correspondido. Já correspondi e não. Já bati com a cara na parede, ou encontrei a porta aberta. A vida é dessa forma. Feita de riscos.  

 

O mais importante, é não dever nada a ninguém. Muitas vezes as pessoas querem saber mais da nossa vida do que devem. São curiosas, se preocupam mais com a vida alheia o que com as próprias. Deixo um pouco dos meus sentimentos, das mulheres que amei, dos amores que vivi, nos meus textos. Mas todos saberão até onde eu permitir.  

Um dia irei morrer

by abril 24, 2023


Um dia irei morrer. É a única certeza da vida.
Não sei quando, nem como. Apenas que o fato irá ocorrer.
O mistério da vida após a morte, ou do que há após ela, caso haja, causa angústia.
O desconhecido nos dá medo. Embora eu não costume pensar nisso. 
Não sei se quando falecer, terei a graça de ir para o céu. Em um local fantástico. de gramado verde, árvores frutíferas, rios e cachoeiras.
Talvez esteja Chopin, Blanca, Lilica, Juma, Xispita, Rabitus, até Duque e Bolinha. Cães balançando o rabo para me receber. Latindo de felicidade.
Quem sabe encontrar muitas pessoas, as que perdi, as que partiram antes mesmo do meu nascimento. Há possibilidade de encaixar as peças do quebra-cabeça.
Uma viagem ao desconhecido, para encontrar velhos conhecidos. E também aqueles que deveria conhecer.
Quem sabe possa andar por gramado verde, jardim com flores, ruas com paralelepípedos ou até rua de ouro. As conversas que a separação da vida impediu que tivéssemos. 
Acho que estaria lá meus avós. Os quatro. Esperando para uma conversa. Para aparar certas arestas. Entender um pouco essa vida. 
Os tios e tias. Primos. Tantos parentes que há muito tempo estavam apenas nas lembranças.
Os amigos que partiram primeiro. As "avós" de consideração. 
Possivelmente haverá o alívio. Entender os males desse mundo. Compreender os motivos de tantas injustiças. E porque tanta gente não se indigna com as injustiças.
Quem sabe haverá espaço para escrever. O reconhecimento que na Terra, com todos os defeitos, sempre procurei contribuir com textos que não distorcessem a realidade. Que não alienasse, que não criassem ao povo uma percepção falsa dos fatos. Sempre pedi a Deus para iluminar o que escrevia e que pudesse realmente contribuir com as pessoas.
Mas peço a Deus, que quando eu morrer, não seja nem antes e nem depois do tempo certo. Do que a natureza aguarda para minha existência.
Peço que seja depois dos meus pais. Nenhum pai e mãe deveria ter a dor de enterrar um filho.
Que eu deixe lembranças boas. Terei o lado negativo, é claro, como todos possuem. Mas espero que fique as lembranças positivas. Que eu tenha a capacidade de plantar algumas sementes boas. Que algum fruto consiga deixar.
Seu eu for pai. Que meus filhos não sejam muito pequenos. Que haja tempo o suficiente para terem grandes lembranças de mim. Que exista tempo hábil para transmitir bons valores.
Que seja possível alguma contribuição com as pessoas importantes para mim. Uma herança singela e perpétua para minhas sobrinhas.
Que eu consiga deixar alguma saudade em quem eu me importo. Que ao menos de vez em quando, haja alguma lembrança. Que não seja indiferente. Que pelo algum peso para ele minha existência tenha. Que eu seja importante o suficiente para ser capaz de fazer falta.
Que as pessoas se lembrem de alguém correto. Que honrava sua palavra. Em quem se podia confiar. 
Espero existir em algum lugar. Mesmo de forma discreta. Um singelo elemento que prove, que a vida, apesar das falhas, das aflições, dos momentos de turbulência, das decepções, das limitações, tenha valido a pena. 



Sobre o Autor: 
Victor Garcia Preto   
Formado em Ciências Contábeis. 29 anos, Resido Ribeirão Preto.  Tenho um perfil de textos no Instagram: @textosinceros. Segue lá.
             


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