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Aceite o que a vida lhe apresenta - (Lorena Arndt)

by julho 26, 2020


Lorena Arndt:  

Lorena Arndt   
Formada em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e pós-graduada em Gestão em Tecnologia da Informação. Espírito Santo. Amo escrever. Escrever dá asas à minha imaginação e trago aquilo que mais desejo e sonho para a minha vida. Escrever é ser livre para expressar o que sentimos. É preencher aquilo que estava vazio.     
            



Vivemos fazendo planos, sonhando com novas conquistas, querendo alcançar sempre mais, superando limites, desafios e desejos.


E que bom! Pois isso colabora para nos mantermos motivados a acordar todos os dias com o desejo de lutar para conquistar o que almejamos.


Mas, e quando aquilo que planejamos e estamos a um passo de dar certo não acontece? Certamente, em algum momento da vida nos deparamos com uma situação dessa. Qual a sua reação?


Preparar-se acreditando que as coisas darão certo é gratificante, realizador. Mas, será que estamos preparados para quando acontecer totalmente o contrário?


Expectativas demais fazem com que peguemos um impulso muito forte e saltemos muito longe, mais do que conseguimos. E o tombo é maior. 


Por isso, é importante que tenhamos cautela, que possamos fazer nosso planejamento e batalhar para a realização de um objetivo sempre com os dois pés no chão. 


Busque sempre os melhores recursos para trabalhar no que deseja. Se não der certo, não lamente. Colha o que há de melhor no que foi realizado e siga em frente tentando mais uma vez. As coisas acontecem quando tem que acontecer.


Somos ansiosos, queremos que tudo ocorra da forma como planejamos para acontecer, mas as coisas não são no nosso tempo e sim no tempo de Deus.


Devemos ter fé, aceitar o nosso presente, a nossa vida e buscar sempre sermos pessoas melhores. Se o que você planejou não deu certo hoje, pode ter certeza que dará certo amanhã e será melhor do que se fosse executado hoje.


Não vale a pena se lamentar ou entristecer-se, a vida é como brincar de gangorra, uma hora ela lhe deixa no topo e você não consegue pensar em descer, outra hora ela te joga para baixo e todo o esforço que você faz para subir novamente está na sua força em aceitar estar aonde está. Por isso, não desista jamais. Apenas viva!



Direitos da imagem de capa: Mariana Dalla on Instagram

O que é ser feliz para você? - (Lorena Arndt)

by junho 12, 2020




Lorena Arndt:  

Lorena Arndt   
Formada em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e pós-graduada em Gestão em Tecnologia da Informação. Espírito Santo. Amo escrever. Escrever dá asas à minha imaginação e trago aquilo que mais desejo e sonho para a minha vida. Escrever é ser livre para expressar o que sentimos. É preencher aquilo que estava vazio.     
            


Uma das coisas que ninguém gosta de fazer é esperar por algo. Exemplo disso é ficar esperando um ônibus em um ponto de ônibus. Passam vários carros e nenhum ser humano conhecido para lhe oferecer uma carona. 

E justo no dia que você está ali, o ônibus atrasa três minutos e a sensação é que ele está atrasado porque é o dia que você precisa espera-lo. Os três minutos têm sensação de quinze.

Bom, mas continuando, prometo chegar aonde quero chegar com a história, não de ônibus agora, mas com outro veículo que será perfeito para o que irei contar.

Em uma bela manhã de segunda, estava eu esperando o ônibus para ir a outra cidade resolver algumas coisas. Incrível, como a maioria das melhores histórias acontece quando saímos para resolver alguma coisa, sempre de forma inesperada algo nos surpreende. Foi o que me ocorreu naquele dia. 

Depois de três minutos atrasado, o ônibus apontou a uma distância de seiscentos metros de onde estava. Mas, já era alguma coisa. A sensação de estar atrasada justo naquele dia foi passando.

O ônibus parou e eu entrei. Por ser segunda-feira, todos estariam trabalhando no horário em que eu estava saindo, por isso não havia lotação e várias cadeiras estavam vazias. 

O motorista ao menos foi simpático e respondeu ao meu bom dia. Sentei-me em uma das poltronas do centro do ônibus. Não me recordo o número, pois nunca fui de respeitar o número da poltrona que colocavam na passagem. 

Atrás de mim, estavam sentados um senhor com um rapazinho, deveriam ser avô e neto. Nas cadeiras da frente, uma moça dormindo debruçada na mochila. Deveria estar sonhando com alguma coisa. E à minha esquerda, nas poltronas do outro lado do corredor, havia uma senhora segurando a bolsa bem segura nos braços, tipo minha avó quando saía para algum lugar. Devia ter algo valioso na bolsa ou era costume por medo de assalto.

Minha viagem duraria trinta minutos. Sempre costumo escutar música quando viajo de ônibus, para distrair e pensar na vida. 

Foi o que resolvi fazer. Abri minha bolsa para pegar o meu fone de ouvido. Para minha surpresa, eu o havia esquecido em casa. 

Que maravilha, meia hora de viagem para ir, meia hora para retornar, isso é igual à uma hora sem música. Realmente não era o meu dia de sorte depois do ônibus já ter atrasado três minutos.

Enfim, deitei um pouco a minha poltrona e fechei meus olhos. O avô e o neto sentados atrás de mim conversavam muito. 

Não que estivesse me atrapalhando ou eu interessada no assunto, mas era inevitável não escutá-los. Conversavam alto. Discutiam sobre alguma coisa. Eu imaginei que fossem coisas de família, mas em um dado momento, aquilo começou a me interessar. O menino dizia ao avô:

- Vou ser o cara mais feliz do mundo hoje quando eu compra aquele celular do ano. Ansioso para isso vô...

O avô não respondia nada. Ficou por uns dois minutos calado, depois que o neto disse aquilo. De repente, o avô diz:

- Comprar o celular, vai te fazer feliz Joca?
- Muito vô. Sabe o quanto precisei trabalhar para conseguir isso. – Respondeu o menino.

O avô continuou:
- Hum, bom. Por quanto tempo você ficará feliz com o celular? Talvez alguns dias, depois você vai se acostumar com ele, né? E não vai se sentir feliz por tê-lo.

O menino parecia não ter entendido muito bem o que o avô quis dizer e perguntou:

- Como assim, vô. O que o senhor quer dizer?

O avô respondeu:

- Eu quero saber o que você tem a me dizer primeiro. O que é estar feliz para você?

Joca (prazer, o nome do menino era Joca), respondeu:

- É ter as coisas que quero, é perceber que tudo está bem com todo mundo, é não ter problemas... Isso é ser feliz. Acha que não estou feliz vô?

- Não quis lhe dizer isso. Quis saber o que é felicidade para você. O que te deixa feliz. Mas, você já me respondeu. Normal, você responder essa pergunta. Era o que eu esperava que você respondesse. Eu, na sua idade pensava igual. Mas, a vida foi me mostrando que eu estava sendo feliz do jeito errado.

Eu estava atenta na conversa, estava ficando boa e quase perguntei para aquele senhor o que era felicidade para ele. Sempre gostei de escutar histórias das pessoas mais experientes da vida. Mas, o menino leu os meus pensamentos e perguntou ao avô:

- Então vô, o que é ser feliz para você? O que é a felicidade?

Senti o suspiro do avô, contente, porque era o que ele queria que seu neto perguntasse. Se bobeasse, era o que ele queria que qualquer pessoa lhe pedisse. E ele respondeu:

- Seu avô Joca, sofreu muito na vida. Muito mesmo. Não tinha tudo o que queria, passava por vários problemas, dificilmente surgia um tempo de paz e tranquilidade. A vida quando eu tinha a sua idade era diferente. Mas, o tempo passou e fui aprendendo que se eu esperasse ter tudo o que queria para ser feliz e ter uma vida sem problemas, eu nunca seria feliz. Fui conquistando o que eu podia, e o pouco que conquistei foi muito para minha gratidão. Nada será fácil Joca, nada nessa vida. Mas, se tem uma coisa que você não pode, é deixar de ser feliz. Não com bens materiais que você tem, porque essa felicidade é passageira, assim como nós nesse ônibus. Somos passageiros aqui, daqui a pouco chegaremos ao destino final e não estaremos mais aqui nesse ônibus. Quando você acorda pela manhã, você já tem sua maior felicidade, que é um novo dia com vida. A felicidade está na vida. Está no existir, no ser, no estar vivo. Busque essa felicidade meu neto e quando você chegar à minha idade com oitenta anos, vai poder olhar para trás e lembrar que foi muito feliz em toda sua viagem de vida.

Fiquei admirada com o discurso do avô. Boquiaberta. Foi melhor do que qualquer música que eu estaria escutando naquele momento, se não estivesse esquecido meu fone de ouvido. Foram belas palavras, que me fizeram refletir pelos próximos minutos até chegar ao destino da viagem.

Quando o ônibus parou, saltamos. Deixei o avô e o neto passarem na frente. E fiquei os observando. O andar do neto e o andar do avô. Duas fases de vida totalmente diferentes. E a passagem de uma fase da vida para a outra é que define a bagagem que carregamos ao longo dos anos. Depois daquele dia, passei a buscar a felicidade dentro de mim, pois essa felicidade nunca acaba. Ou é felicidade motorista ou cobrador, porque passageira não será jamais.



Imagem: 
Jason P. Howie

A vida é assim - (Lorena Arndt)

by junho 12, 2020





Lorena Arndt:  

Lorena Arndt   
Formada em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e pós-graduada em Gestão em Tecnologia da Informação. Espírito Santo. Amo escrever. Escrever dá asas à minha imaginação e trago aquilo que mais desejo e sonho para a minha vida. Escrever é ser livre para expressar o que sentimos. É preencher aquilo que estava vazio.     
            




A vida é assim
Verão frio
Inverno quente
arco-íris sem cor
doce sem sabor
amor sem amor.
A vida é assim
Como se não existisse fim
A tristeza e a alegria
Andam juntas na alegoria
Desafinando a cantoria.
A vida é assim
Não sei se é assim
Só sei que ela tem fim
E tudo acabará enfim
Vestida com um formoso cetim
A vida será assim
Verão quente
Inverno frio
Arco-íris com cor
Doce com sabor
Amor com amor.
A vida é assim

Ah, o amor! - (Lorena Arndt)

by junho 06, 2020


Lorena Arndt:  

Lorena Arndt   
Formada em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e pós-graduada em Gestão em Tecnologia da Informação. Espírito Santo. Amo escrever. Escrever dá asas à minha imaginação e trago aquilo que mais desejo e sonho para a minha vida. Escrever é ser livre para expressar o que sentimos. É preencher aquilo que estava vazio.     
            




Em um dia desses qualquer, não me recordo a data, não me recordo o mês, nem o dia da semana. Só me recordo do fato mais marcante daquele simples dia. 


Saí para resolver algumas coisas de rotina e, como a tarde estava ensolarada, resolvi sentar em um banco no jardim da minha cidade para descansar e apreciar a paisagem. 


Há tempos não parava para olhar para o nada.   


De repente, vejo uma criança brincando no jardim. Sua mãe conversava com outra pessoa, enquanto esta criança estava se divertindo. 


Fiquei observando a criança, mas sabe aquele momento em que você olha para algo e pensa em outra coisa. Estava assim. 


E do nada aquela criança começou a me encarar. Ficava me olhando, e em seguida, foi se aproximando de mim. Sentou do meu lado. 


Era uma linda garotinha, com seus cinco anos de idade. Com seu cabelo loiro que nem a Cachinhos Dourados do desenho animado e seus olhos azuis, que pareciam de anjo. Sentou do meu lado e não parava de olhar para mim.


 Eu que tinha que ficar olhando para ela, porque ela parecia uma boneca. E falando em boneca, ela segurava uma. Sua boneca de pano estava com a roupa toda rasgada, o cabelo despenteado e toda manchada de tinta. E ela abraçava a boneca. 


Do nada ela me pergunta: 

– Moça, o que é o amor? 


Eu fiquei olhando aquela criança atentamente por longos trinta segundos sem dizer nada. E tentando me perguntar o que eu escutei. Olhei para um lado, não havia ninguém. 


Olhei para o outro, não havia ninguém. E essa menina olhava para mim esperando uma resposta. Eu ficava imaginando por que tal curiosidade estava presente nos seus pensamentos. Em trinta pausados segundos me veio à cabeça definições aleatórias de toda a minha experiência do que é o amor. 


Eu sabia que existiam vários tipos de amores, mas qual definição explicar a uma criança para que ela entendesse? Sendo mais direta, como explicar a uma criança o que é o amor? 


Naquele momento eu gostaria de pegar uma caneta e um papel e começar a escrever, assim como faço. Parece que desenhar palavras no papel é mais fácil do que tocar o coração de alguém apenas falando. 


Nesse caso, eu estava conversando com uma criança. Percebendo que eu não falava nada, ela me perguntou: 

– Você também não sabe o que é o amor? 

Respirei fundo, não querendo decepcionar aquele pequeno ser humano com uma imaginação bem avançada para a idade, perguntei a ela:
 
– Bem mocinha, eu vou lhe falar o que é o amor. 


Afirmei de tom confiante, como se eu entendesse tudo do amor. E na hora, olhei para aquela boneca que ela segurava e aí encontrei a definição do amor. E perguntei: 

– Mas antes me responda: você parece gostar muito dessa boneca, não é? 


Ela olhou para mim, olhou para a boneca e disse: 

– Sim, ela já está com a roupa toda rasgada, com o cabelo todo despenteado e eu risquei ela com canetinha, agora não consigo mais limpá-la. Mas eu gosto muito dela. Tenho várias bonecas novas, mas eu gosto dessa. Aonde eu vou, ela vai comigo. 


Ouvi aquelas palavras vindo da voz e do coração de uma criança, foi algo muito lindo, pois consegui ver a sinceridade e a simplicidade no fundo dos seus olhos. 


Então completei: 

– Isso que você sente pela sua boneca é amor, sabia? Amor é a vontade que você tem de cuidar dela, não importa a roupa rasgada, o cabelo despenteado e o quanto você já a riscou. Mesmo assim, ela está com você e você está com ela. 


Aquela garotinha me olhou e sorriu. O sorriso mais sorridente que eu havia visto em alguém. E ela disse: 

– Agora eu sei o que é o amor. Eu nunca vou desgrudar dessa boneca, nem quando eu crescer. 


Eu acrescentei: 

– Nunca deixe de amá-la. Às vezes pode aparecer um risco no amor, como na sua boneca, mas se é amor de verdade, não se torna mancha nunca. Só o amor limpa qualquer rabisco. 


A garotinha sorriu novamente, e saiu correndo em direção a sua mãe, que segurou sua mão e foi caminhando para fora do jardim. A garotinha ficou me olhando enquanto caminhava. E eu a observava se distanciando cada vez mais. 


Naquele dia, não só defini o amor para aquela criança, como defini o que era o amor para a minha vida. 


Ah, o amor!

Caminhar pela vida é estar em conexão com seu próprio eu - (Lorena Arndt)

by maio 26, 2020


Lorena Arndt:  

Lorena Arndt   
Formada em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e pós-graduada em Gestão em Tecnologia da Informação. Espírito Santo. Amo escrever. Escrever dá asas à minha imaginação e trago aquilo que mais desejo e sonho para a minha vida. Escrever é ser livre para expressar o que sentimos. É preencher aquilo que estava vazio.     
            


A vida é irônica. 

Aquilo que faz bem hoje, pode fazer mal amanhã, e bem depois de amanhã. 

A nossa vida é um caminho com um longo percurso a seguir. “No meio do caminho existe uma pedra...” Essa pedra pode atrasar a caminhada, mas em outro momento ela pode servir para que eu suba em cima dela para arrancar aquela fruta que preciso no alto de uma árvore.

 
Atrás das pedras existem flores belas e coloridas ou podem existir cactos com grandes espinhos. Mas, até nos cactos nascem flores. 


No caminho existe melodia, ora triste, ora alegre. Devemos dançar conforme toca a música, mas, às vezes, dançando uma valsa melancólica com alguns passos de samba.

 
Nessa caminhada encontramos belas árvores robustas que fazem muita sombra. Ora essa sombra protege-nos do calor, ora ela esconde a beleza de uma flor. 


Existe um aroma fresco, que revigora a alma. Ora o clima é inspirado suave, ora causa repetidos espirros. 


Caminhar pela vida é estar em conexão com seu próprio eu e tudo o que está a sua volta. Vivenciando medos, inseguranças que afligem, é caminhar sem saber onde se vai chegar.  O importante é o que você está colhendo. Caminhe plantando o bem, a verdade e o amor. Você pode não saber o que está depois da curva, mas você irá colher tudo o que precisa para se manter vivo na caminhada.

Texto por Lorena Arndt   


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