Sobre o Autor:

Formado em Ciências Contábeis. 29 anos, Resido Ribeirão Preto. Tenho um perfil de textos no Instagram: @textosinceros. Segue lá.




Nos tornamos melhores?
Estamos em um período que é muito fácil enlouquecer. O mundo passa por grande caos. A pandemia afetou a todos.
Quando os problemas começaram a nos atingir, milhares de frases e textos passaram a circular na internet e em outros meios. Todos - ou pelo menos parte considerável - prevendo que o vírus tornaria a humanidade melhor. Todos propagaram essas ideias com a melhor das intenções.
Passado algum tempo de que o isolamento se iniciou a pergunta a ser feita é, realmente contribuiu para uma humanidade melhor?
As pessoas continuam despreparadas para ouvirem opiniões e pontos de vista diferentes de suas. São incapazes de saírem de sua zona de conforto, e mesmo diante de elementos para no mínimo refletirem que situações complexas, e devem ser analisadas com ponderação, há insistência em análises rasteiras.
Em geral, pelo menos no Brasil, a reflexão não ocorreu. Todos pregam amor, mas o expõem com demonstrações de ódio e intolerância. Todos estão no mesmo barco, ou pelo menos em barcos da mesma frota, no mesmo mar. Como sempre uns veem os obstáculos, outros, buscam soluções. E há a maioria está no meio termo.
Em um mar onde ninguém tem certeza de que as sereias existem. Os que afirmam ter as visto são repreendidos, enquanto os que afirmam que não existem, também.
A necessidade de pertencer a um grupo faz a racionalidade se afastar. Antes da pandemia estava difícil encontrar pessoas sensatas, nesse momento, elas se tornam ainda mais raras.
É tão "cool" odiar alguma coisa, levantar alguma bandeira. Mais importante é que seu grito ecoe, do que um único momento de sincera reflexão interior.
Mesmo que ainda se indignando com opiniões que julga estúpida, aprendendo a ter maturidade para conviver com óticas diversas, e entender que as pessoas não são boas ou ruins, vilãs ou mocinhas, por concordarem ou não com sua cosmovisão.
Nem todos que torcem pro mesmo time que o meu, são ótimas pessoas, e a recíproca é verdadeira. Durante a vida precisei e tive grande ajuda e demonstrações de consideração de pessoas com opiniões e/ou atitudes as quais reprovo.
Me senti prejudicado por gente que compartilham minhas convicções e o mesmo é válido para aqueles de cosmovisão oposta.
Nem todos que fazem o certo, alçação pelos motivos e intenções corretas.
Por esses motivos, tento na maior parte das vezes escrever textos reflexivos, interiormente e que provoque o mesmo nos demais.
Quando por qualquer motivo se é ouvido, lido ou assistido, suas palavras ganham maior peso. É preciso cuidado no que expõe. Todos possuem suas convicções, gostos e preferências. Nenhum indivíduo será totalmente imparcial.
Contudo, vejo a necessidade de unir os argumentos para enriquecê-los, refleti-los, e tentar subir degraus, almejar evolução. Cuspir pontos de vista, e causar cada vez mais divisões, fomentar conflitos e discussões não é o melhor caminho.
Observe, não estou pregando que reprima opiniões, que mesmo não se manifeste e não possa ser convicto. Não se trata de idealizar que todos estão certos a sua maneira, e que em todas as situações é possível evitar o conflito.
O que prego é ponderação, reflexão, não arrotar verdades, pois algumas dessas aparentes verdades absolutas, podem ser simples mentiras travestidas de aspectos verdadeiros.
Distorções sempre ocorreram. Todos os indivíduos, em algum momento da vida, podem acreditar em grande estupidez. Quem sabe agora não esteja ocorrendo isso?
Poesias são usadas - ao meu ver - de maneira errada para impor pontos de vista e ideologia. Músicas, filmes, folhetos de cordel, HQs, qualquer tipo de arte pode ser usada a serviço de uma alienação.
Existe grande diferença em expor suas convicções, e de alguma maneira as impor, forçar que os demais a engulam goela abaixo, como se não houvesse outras possibilidades.
As pessoas que eu amo cometem erros, as quais tenho desavenças, também acertam. É necessário olhar cada situação com a maior dose de sanidade possível.
Defender quem ama, mesmo quando este está errado, não é benéfico a nada e nem ninguém, principalmente a pessoa em questão.
Qual mãe não apertaria a mão de uma pessoa que não gosta pelo bem dos filhos? No mundo atual, onde se impõem verdades, de modo involuntário, os filhos morrem, mas não se dá o braço a torcer.
Pessoas que tentam se mostrar como de forte personalidade e posicionamento firme, mudam de opinião ao assistem um filme ou série, ler uma crônica não necessariamente bem fundamentada, uma matéria, dialogo de meia hora com alguém, que não necessariamente possuem autoridade no tema. Se voltam para a alienação, mostram a pior face de si, até se esquecerem da melhor.
Escrever meia dúzias de frases prontas, de lugares comuns, para agradar um grupo de amigos e familiares que o cercam, ou lhe seguem em redes sociais, aparentemente satisfaz o ego, porém, na maior parte das vezes, se presta um desserviço à sociedade.
Em muitas oportunidades o problema não está no que se escreve, e sim no que se ignora quando escreve. Nos pontos de vista e linhas de raciocínio que os seus ignoram.
Em meus textos em geral, prego ser contra o aspecto raso e unilateral, sou repetitivo nessa questão. A existência humana não pode ser resumida de maneira superficial, embora seja assim que a maioria o faça. Postam nos storys capas de livros, porém, não costumam lê-los.
Caso chegam a ler, não refletem, não assimilam. Querem enxergar em qualquer fato as suas convicções de mundo, muitas vezes baseadas em mentiras e hipocrisias.
Poucas pessoas levam o conhecimento a sério. Muito dos meus amigos, nunca se deram o trabalho de ler nada do que eu escrevo, nem mesmo para criticar, para poder avaliar se sou um escritor bom ou ruim ou se há sentido e profundidade em minha escrita.
Não se explica uma simples pelada de futebol na rua com os gols feitos de chinelos, quem dirá questões sociais, econômicas, políticas, religiosas e outras, de modo simplório. A dimensão dessas questões é muito maior do que o resumo pronto e pasteurizado que se circula de maneira incisiva.
Ninguém - ser humano - é tão excepcional que deva ser visto como um guru incontestável, e que todas as suas palavras devem ser levadas como lei.
O ideal é absorver o melhor de cada um, questionar, esse é um processo de evolução individual, para futuramente se tornar coletiva.
Retorno a temática inicial desse texto, A pandemia não nos fez seres humanos melhores. Toda a perspectiva, seja racional ou espiritualista de mudanças, não ocorreu. Nunca se isolou tanto no campo das ideias, nunca se desrespeitou tanto os pontos de vistas diversos.
Poucas vezes a argumentação foi tão superficial. Quando alguém, seja de qualquer lado, tentar impor uma opinião, questione-se e o questione. É preciso preservar a individualidade, e não pensar de modo padronizado.
Parabéns pelo belo texto!
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